Promover a educação e transmitir conhecimentos são as primeiras definições no dicionário do verbo educar. Mas a verdadeira educação vai muito além disso. Ela cultiva o espírito, enobrece os sentimentos e valoriza as emoções do indivíduo. Assim, trata o ser humano na sua plenitude, captando sua essência. Isso porque seu desenvolvimento precisa ser global para ser verdadeiro.
O conhecimento empírico, baseado nas experiências, é importante, mas para absorvê-lo, o espírito, a mente e o corpo precisam estar em perfeita sintonia. Porque só assim o homem saberá que o conhecimento não existe para ficar restrito à mente. Ele precisa ser transmitido a outras pessoas e colocado em prática com o desejo de promover o progresso da sociedade. Com isso, a evolução material e intelectual está diretamente ligada ao crescimento espiritual do indivíduo.
Atualmente, a maior dificuldade das escolas é a desmotivação, tanto dos professores quanto dos alunos. Além de lidar com seus próprios conflitos interiores e problemas de relacionamento, financeiros e o estresse, o professor ainda enfrenta o mau comportamento, o desinteresse dos alunos e a pressão para cumprir o programa de aulas preestabelecido.
Segundo uma equipe de psicólogos espanhóis da Universidade de Salamanca, as manifestações da síndrome de Burnout aparecem nos profissionais que mantêm uma intensa relação de ajuda, conselho ou ensino com o requerente do serviço e mostra como eles interpretam e lidam com seu próprio estado emocional diante de situações de crise. No caso dos professores, os sintomas são sentimento de fracasso pessoal ou incapacidade para o exercício da profissão. Além disso, podem apresentar irritabilidade, impaciência, dificuldade de concentração, de memorização e de se desligar do trabalho após o expediente, idéias de abandono da profissão e alterações fisiológicas como dores de cabeça, musculares e de estômago, problemas respiratórios, insônia, e hipertensão.
De acordo com a pesquisa, a baixa expectativa geral de auto-eficácia também produz um desgaste emocional e uma sensação de incompetência, que poderia ser compensada através de um relacionamento mais direto e estreito com os alunos. Entendendo e respeitando seu tempo de evolução, avaliando seu aprendizado, sem imposição ou excesso de regras, apenas atraindo e conquistando os alunos.
Dessa forma, é fundamental a abertura de espaço em sala de aula para a discussão de valores e temas do cotidiano, assim como deixar os alunos falarem, exporem suas idéias, para ajudá-los a superar suas dificuldades e incentivá-los a desafiar seus limites. Captar suas angústias e aflições, trabalhar seus anseios, incentivar seus sonhos, sem julgamentos ou preconceitos. Formar homens que façam a diferença, que sejam importantes para o futuro da humanidade. Isso certamente influenciará suas atitudes e forma de pensar. Alcançar essa meta é atingir a auto-realização, a sensação de dever cumprido.
O professor é a “alma” de toda instituição de ensino
Diante dos resultados insatisfatórios nas salas de aula, ocorreu uma grande desilusão do professor. Para a psicóloga e arte educadora, Jandira de Paulo, ele desistiu de sua missão e apenas trabalha com a forma e função. Por isso, é preciso resgatar o valor do professor na sociedade. “Com isso, ele refletirá sobre seus sonhos e objetivos de quando escolheu a profissão e se encantará novamente”, afirma Jandira.
Para ela, se algo está em desarmonia na Educação, o professor precisa saber qual é o seu papel, o que lhe cabe para proporcionar transformações positivas. Na verdade, ele é a “alma” de toda instituição de ensino: “Se ele muda seu sentimento, seu modo de olhar, sua postura, tudo muda a sua volta”, explica.
Nesse sentido, criou-se há cinco anos, o Projeto Planeta Azul - Por Um Mundo Melhor, cuja proposta é cuidar da formação global – mente, corpo e espírito – dos alunos e, com isso, ajudar o professor a cumprir sua missão como educador. Além disso, o curso “Qualificação em Educação Espiritualista”, promovido pela Fundação Mokiti Okada, ajuda as Secretarias de Educação a cumprir sua missão de levar felicidade aos professores. Os objetivos são promover o desenvolvimento da educação espiritualista entre educadores, alunos, pais e a comunidade para a consolidação da Escola Ideal, consubstanciada na Verdade, Bem e Belo, além de vivenciar uma pedagogia centrada em valores e em sentimentos na qual o homem possa se desenvolver integralmente.
por Adriana Kogachi e Ana Cristina Stabelito